O desafio do gestor na hora de contratar

O desafio do gestor na hora de contratar

Rh.com.br

Na maioria das empresas o contratante recebe dois ou três profissionais por vaga para selecionar um deles que será o próximo integrante da equipe. Muitas vezes, estes profissionais já passaram pela área de RH ou por uma consultoria, que já realizou o recrutamento no mercado e o filtro inicial de acordo com as premissas da organização.

Mas, e agora? Como identificar qual deles se adaptará melhor às atividades, às políticas, à cultura e à equipe que já está formada?

Uma grande parcela dos gestores que realiza a entrevista, infelizmente, nunca recebeu qualquer tipo de preparo anterior. Em virtude disto, os líderes acabam por se basear em experiências pessoas e até mesmo pelo instinto para contratar. Isto muitas vezes funciona, mas, em muitas outras também o resultado fica bem aquém do esperado.

Os motivos pelos quais a entrevista de contratação nem sempre dá certo são inúmeros, mas listaremos alguns mais corriqueiros.

1 – Ouça!

Pode parecer clichê, mas infelizmente é real. Muitas vezes, na ânsia por preencher a vaga, não nos atentamos à resposta do candidato ou, então, só absorvemos o que achamos relevante num primeiro momento. Permita-se estar integralmente com o candidato durante a entrevista, evite atender ao telefone ou se deixar distrair com as mensagens e os e-mails que deve estar recebendo durante o processo. Foco na atividade e atenção a tudo o que ouve.

2 – Dedique um tempo para a entrevista.

Procure agendar o candidato em um horário que você terá certeza que disporá de um tempo razoável para a entrevista. Assim, não terá pressa de concluí-la e poderá explorar todos os pontos que achar relevantes. Normalmente, uma entrevista completa de um profissional administrativo ou executivo com certa experiência, normalmente, dura mais do que uma hora.

3 – Perguntas hipotéticas fornecem respostas hipotéticas.

Questões que envolvem situações que poderiam acontecer só vão lhe trazer respostas do que a pessoa acredita que faria, mas isto não, necessariamente, refletirá em um comportamento real. Portanto, evite “Como você faria”, “Como você resolveria” etc.

Prefira “Conte uma situação que você viveu”. Por exemplo, ao invés de “Como você lidaria com um funcionário desmotivado?”, prefira “Você já teve que lidar com um funcionário desmotivado? Conte-me como foi”.
Com isto, você obterá uma informação mais concreta sobre a experiência passada do candidato, além de ter mais clareza se suas atitudes são compatíveis com a cultura da organização e o perfil da sua equipe.

4 – Não dê a resposta na pergunta.

Sem se dar conta, muitas vezes, o entrevistador pode dar a resposta na própria pergunta. Por exemplo, na pergunta “Você já administrou servidores Linux?”, você está dizendo para o candidato que esta é uma vivência que você espera que ele tenha, e que uma resposta negativa poderá custar-lhe a oportunidade em questão. Então, prefira questões mais amplas e abertas: “Você já administrou servidores em quais sistemas operacionais?”. Desta forma, não fica claro o que você está esperando da resposta dele, o que lhe dará mais segurança no conteúdo que ele lhe trouxer.

5 – O candidato como espelho.

Nesta questão existem duas situações:

  1. O entrevistador pode procurar no candidato traços de comportamento compatíveis com ele próprio, ou seja, se ele é expansivo e comunicativo, pode vir a preferir candidatos extrovertidos, por exemplo. Mas nem sempre isso é sinônimo de sucesso, pois comportamentos diferentes podem ser complementares e tendem a agregar para o todo.

  2. O gestor pode enxergar no entrevistado traços de alguém com quem ele trabalhou e não gostou, transferindo este sentimento negativo para o próprio candidato, o que pode vir a fazer com que ele desqualifique alguém que poderia trazer resultados positivos para a organização sem motivo justificável.

6 – Certifique-se de que sabe tudo do candidato ao encerrar a entrevista.

Antes de terminar a entrevista tenha certeza de que tem todas as informações necessárias para tomar uma decisão. Isto evita que você tenha que reagendar com o candidato e possa otimizar seu tempo e do próprio entrevistado.

E lembre-se que o mundo sempre dá muitas voltas. Se hoje você está entrevistando e decidindo o futuro profissional de alguém, amanhã poderá ser você na mesma situação. Então, o respeito pelo outro como você gostaria que tivessem por você é fundamental.

 

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