É NECESSÁRIO PENSAR DIFERENTEMENTE PARA MUDAR

É NECESSÁRIO PENSAR DIFERENTEMENTE PARA MUDAR

Valdir Lopes

Nossas percepções são modeladas em função de nossos modos de pensar, e assim é muito difícil para nós descobrir aquilo que é evidente, simplesmente porque nossas antigas formas de pensar bloqueiam nossa capacidade de ver aquilo que é velho com um novo olhar. E nada é mais persistente do que os “modelos” e lógicas de pensamento. E, no entanto, o comportamento de mudança requer que em primeiro lugar se pense diferentemente para poder agir diferentemente.

Se os modelos de pensamento e as lógicas que nos governam são rígidas, nosso ambiente, por sua vez, não para de evoluir; é por esse motivo que modelos de pensamento e lógicas habituais algum dia tornam-se obsoletos. Longe de condenar nossos modos de pensar tradicionais, proponho seu questionamento e sua integração com outros, visando sua ampliação. Não se trata aqui de pregar novas verdades: o problema dos modos de pensar não é o de serem verdadeiros ou falsos, mas serem eficazes, úteis e produtivos.

Portanto, a questão não é: “O que preciso pensar para mudar?”, mas “Como pensar de modo diferente para favorecer a mudança?”. O pensamento possui milhares de vias para constituir a realidade: quais parecem ser as mais pertinentes e mais econômicas para seguir em direção à mudança e de fato provocá-la? Essa é a interrogação fundamental na condução da mudança e nos processos de coaching. De fato, se determinadas lógicas, provocam inexoravelmente impasses e perpetuam os problemas, outras conduzem mais facilmente à sua resolução.

Atualmente, não basta se adaptar: é preciso aprender a projetar o futuro e preparar-se para ele. É por essa ótica da mudança que converge à prática do coaching. A eficácia depende da capacidade de favorecer as mudanças necessárias nos indivíduos e nos sistemas humanos. Ao antecipar a mudança e ao imaginá-la ao invés de temê-la ou então de constatá-la posteriormente, poderemos nos orientar melhor quanto à direção a ser dada à nossa evolução e assumir o papel de agente.

Numa sociedade em que a evolução é cada vez mais acelerada e mais complexa, a arte da previsão deve dar lugar à da prospecção para responder às novas exigências dos indivíduos. Embora os homens evoluam, suas relações permanecem ainda arcaicas; com demasiada frequência, elas geram bloqueios e mal-estar, e não respondem ao desejo de reconhecimento e de realização, presente em cada ser humano. Esse descompasso entre a evolução do indivíduo e a rigidez de suas relações com os outros implica mudanças nos modos de interação humanos, que exigem o abandono de determinadas premissas e esquemas tradicionais de pensamento.

Na esfera profissional, e também na família ou num casal, a natureza da autoridade mudou de rosto; ela não mais se resume ao fato de comandar ou ditar, mas ao de saber motivar, mobilizar e orquestrar. Essas novas dimensões da autoridade e da participação requerem uma nova percepção do outro, um modo diferente de compor com esse outro que manifestará nossa aptidão mútua para valorizar, utilizar e desenvolver nossos respectivos recursos humanos.

Não basta se adaptar é preciso mudar e evoluir.

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